quinta-feira, maio 26, 2016

UMA GERINGONÇA EM GLÓRIA



Seis meses foi o prazo que eu dei à coligação que governa Portugal desde Outubro. Depois, com a entrada - previsível e, ao mesmo tempo, inesperada - do PCP nas contas da coligação, emendei a mão e depositei alguma esperança na geringonça - sem esquecer que o ex-ministro Paulo Portas tem direitos de autor sobre a expressão.


É verdade que a maior parte das decisões tomadas até agora, foram apenas desfazer o mais impopular do governo anterior e, ao mesmo tempo, aprovar leis de mera propaganda: o aumento do ordenado mínimo, a redução de algumas taxas de IRS e os compromissos com o Bloco de Esquerda - a adoção  por casais do mesmo sexo, por exemplo. Mas mais tarde ou mais cedo, o governo vai ter de tomar opções sérias e a longo prazo.


A entrada em cena do presidente Marcelo Rebelo de Sousa desviou as atenções para a política dos afetos, fazendo o pessoal olhar mais para Belém que para a Praça de S. Bento. Isso deixou António Costa e a geringonça com algum espaço para respirar, apesar de algumas crises internas com os tabefes do ministro da cultura e a demissão de um secretário de estado que ninguém conhecia, João Meneses do Ministério da Educação.


Portugal tem um governo de esquerda - ou, pelo menos, controlado pela esquerda! - desde os dias da revolução. É um governo que vai andando entre a necessidade do Bloco de Esquerda de se fazer importante e a complacência do Partido Comunista, que parece estar assim a modos que a ver "onde as modas vão parar". Tal como qualquer geringonça, vai andadando e fazendo o seu trabalho. Não é grande coisa e, mais tarde ou mais cedo, vai ter de começar uma viagem longa, isto se realmente quiser durar os quatro anos da legislatura.


O que acontece com a maioria das geringonças, é que servem para dar umas voltinhas ali no bairro, ir ao supermercado e ao café, mas quando são chamadas a tarefas mais exigentes, acabam por falhar e encostar. Quem irá beneficiar se o governo-geringonça parar? António Costa e o seu PS, certamente, que irão prolongar este estado de dar o que não tem, até a coisa dar o badagaio. Enquanto isso, os dois partidos de esquerda que vão servindo de suporte, olham de lado um para o outro, a ver qual assumirá o ónus duma possivel queda do governo, quando as coisas começarem a encravar.