sábado, novembro 11, 2017

ESTILO E SIMPLICIDADE

CRÉDITOS COMPLETOS

Sendo um apaixonado de thrillers e policiais, fico agradavelmente emocionado quando alguém se propõe fazer um drama que seja simplesmente uma história de crime e do desenrolar da investigação, sem complicar e sem querer fazer o que não deve. Um crime é um crime, um criminoso é um criminoso, e um filme policial deve começar no primeiro e explicar sem pretensões a forma como a policia chega ao segundo.


Neste sentido, "Wind River" é simples e tem estilo. Tomando a neve como um elemento essencial, um aliado e um inimigo ao mesmo tempo, conta a história de dois policias - Jane Banner (Elisabeth Olsen) e Cory Lambert (Jeremy Renner) - e da sua investigação acerca do assassínio duma jovem, numa perdida e gelada Reserva de Nativos Americanos.


Taylor Sheridan - mais conhecido como actor de televisão em "Sons of Anarchy" ou "C.S.I." - escreve e realiza um filme simples, directo e envolvente. Um policial sem nada a mais ou a menos, fazendo uso duma mão segura e duma escrita envolvente. Não há nada a inventar aqui: há um crime e tem de se descobrir o culpado. Sigamos em frente!


Na altura da revelação final, Sheridan usa o habitual flashback, contando a história sem interrupções e sem períodos de suspense desnecessário. Não se vão acumulando revelações indirectas nem pistas para colar, que noutros filmes do género poderiam ser consideradas essenciais para manter o espectador interessado. "Wind River" não precisa de truques ou subterfúgios. É um drama simples, que vive do que é importante.


Jane and Cory têm empatia e grande parte do drama assenta nos seus ombros e na forma como se relacionam, ou, se quiserem, na forma como a sua relação vai evoluindo ao longo da história. "Wind River" é para quem gosta de policiais que cumprem o que lhes é pedido: um drama negro e intenso. Apesar do gelo que alimenta toda a paisagem, o filme queima como água a ferver. É tudo o que se deseja.