sábado, abril 25, 2020

QUASE PERFEITO

Encontros: CRÉDITOS COMPLETOS


Podia ser o romance perfeito, mas “Deux Moi” tem um pequeno problema que é a falta de ritmo. Move-se em círculos lentos, colocando o espectador numa situação estranha, sabendo, ao fim de 15 ou 20 minutos, onde tudo vai acabar, mas andando demasiado em solavancos que emperram o desenrolar da história. Esta é a pior parte. Agora vamos ao resto.


Rémy (François Civil) e Mélanie (Ana Girardot) vivem em Paris  em prédios contíguos. Não se conhecem embora se cruzem de vez em quando na mercearia ou na farmácia – onde vão, ele por dormir de menos, ela por dormir demais; ele alheio e desinteressado devido a um trabalho de que não gosta, ela deprimida devido ao fim dum relacionamento.


“Deux Mois” segue ambos nas suas deambulações desinteressadas através de diálogos inteligentes e interpretações competentes . O filme tem humor – não sendo exactamente uma comédia – e levanta o problema do alheamento provocado pelas cidades modernas, impessoais, onde a solidão impera, mesmo que superpovoadas.


O uso  da psicoterapia para ir revelando o caracter dos personagens pode parecer um cliché demasiado visto, mas o realizador Cédric Klapisch, juntamente com o co-argumentista Santiago Amigorena, conseguem, mesmo nesses momentos, criar algo original e o espectador não deixa de se divertir com as situações desenvolvidas.


“Deux Mois” é um filme extremamente competente em todos os sentidos. Um pouco melhor gestão do ritmo e seria um romance perfeito, mesmo que aqui e ali alguns “deja vu”  possam distrair o espectador.  É, no entanto, muito mais uma história sobre a solidão que sobre o amor, muito mais sobre desencontros que sobre encontros.


Este é um daqueles filmes que chamará o espectador a uma segunda visualização, porque acaba com aquela sensação que houve coisas que ficaram para trás. A melhor premissa do filme é que não se pode amar alguém sem nos amarmos a nós próprios  primeiro, a pior, já explorada até á exaustão, é que a vida urbana de hoje nos arrasta para uma solidão infinita.

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